MORREU JOSÉ MARIA MARIN EX- PRESIDENTE DA CBF
- PONTO NEWS
- 22 de jul. de 2025
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Morreu, na madrugada do ultimo domingo (20), o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, aos 93 anos, ele comandou a CBF entre 2012 e 2015, depois de seu antecessor, Ricardo Teixeira, deixar o cargo da entidade.
Em seguida, ele foi substituído por Marco Polo Del Nero, o ex-presidente também era advogado e esteve presente na política, sendo vereador e deputado estadual de São Paulo, nas décadas de 1960 e 1970.
A causa da morte não foi divulgada, recentemente, Marin lidava com vários problemas de saúde, incluindo um acidente vascular cerebral (AVC), que sofreu em 2023.
Sua presidência na CBF foi marcada também por homenagens polêmicas: em julho de 2014, a nova sede da entidade, na Barra da Tijuca, no Rio, foi inaugurada com o nome de “Edifício José Maria Marin”.
No entanto, menos de um ano depois, a fachada foi discretamente alterada, o nome foi retirado em maio de 2015, dias após Marin ser preso na Suíça, acusado de envolvimento em um amplo esquema de corrupção no futebol mundial, revelado pelas investigações do FBI no caso conhecido como Fifagate.
Condenado por crimes como lavagem de dinheiro, fraude bancária e conspiração, Marin tornou-se o primeiro dirigente brasileiro de alto escalão a ser preso no escândalo da Fifa.
Ele foi extraditado aos Estados Unidos, onde cumpriu pena em Nova York. Em 2020, por motivos de saúde e idade avançada, foi autorizado pela Justiça americana a cumprir o restante da sentença em prisão domiciliar no Brasil.
Antes de se tornar dirigente esportivo, Marin teve carreira política longa e alinhada à ditadura militar, foi vereador da cidade de São Paulo entre 1963 e 1970, deputado estadual por cinco mandatos, e vice-governador de Paulo Maluf.

Imagem: AGIF
Em 1982, assumiu o governo paulista interinamente por cerca de dez meses. Filiado à Arena, partido de sustentação do regime, chegou a fazer pronunciamentos elogiosos ao delegado Sérgio Fleury, símbolo da repressão política durante os anos de chumbo.
Sua relação com o futebol, no entanto, não era nova. Marin chegou a jogar profissionalmente como ponta-direita do São Paulo e da Portuguesa, nos anos 1950.
Nos bastidores, teve papel importante na Federação Paulista de Futebol, da qual foi presidente entre 1982 e 1988, antes de se tornar vice da CBF na gestão Ricardo Teixeira.
A ascensão à presidência da CBF veio em 2012, após a renúncia de Teixeira, Durante sua gestão, Marin se envolveu em outro episódio que gerou desgaste público: durante a cerimônia de premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior daquele ano, foi flagrado embolsando uma das medalhas, o gesto foi amplamente criticado e virou motivo de chacota nas redes sociais.
Com a morte de Marin, encerra-se uma trajetória marcada por poder, polêmicas e contradições, de político ligado ao regime militar a protagonista de um dos maiores escândalos do futebol mundial, sua figura simboliza um capítulo turbulento da história da política e do esporte brasileiro.
José Maria Marin deixou esposa, um filho e dois netos.
LINHA DO TEMPO
1932 – José Maria Marin nasce em 6 de maio, na cidade de São Paulo. Filho de imigrantes croatas, foi criado no bairro da Mooca, tradicional reduto paulistano.
Anos 1950 – Inicia sua carreira como jogador de futebol profissional. Atua como ponta-direita pelo São Paulo Futebol Clube, mas não chega a se firmar. Passa também por outros clubes, como a Portuguesa Santista, antes de abandonar os gramados.
Década de 1960 – Forma-se em Direito e ingressa na política pelo antigo PRP, migrando depois para a UDN e, com o golpe de 1964, para a Arena, partido de sustentação da ditadura militar.
1963–1970 – Cumpre dois mandatos como vereador da cidade de São Paulo.
1971–1979 – Elege-se deputado estadual e cumpre cinco mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa de São Paulo. Durante esse período, é um defensor da linha dura do regime militar. Em um discurso de 1975, chegou a elogiar publicamente o delegado Sérgio Fleury, um dos mais temidos agentes da repressão.
1979 – Assume a vice-governadoria de São Paulo na chapa liderada por Paulo Maluf.
1982–1983 – Com a saída de Maluf para disputar o Senado, Marin assume o governo de São Paulo em caráter interino, permanecendo no cargo por cerca de dez meses, até março de 1983.
1982–1988 – Torna-se presidente da Federação Paulista de Futebol, cargo que consolida sua transição definitiva para o mundo esportivo.
1986 – Comanda a delegação da seleção brasileira na Copa do Mundo do México, ainda como dirigente da federação paulista.
2008 – É nomeado vice-presidente da CBF, como aliado político de Ricardo Teixeira. A partir daí, volta a ganhar força nos bastidores do futebol nacional.
2012 – Assume a presidência da CBF após a renúncia de Ricardo Teixeira. Também se torna presidente do Comitê Organizador Local da Copa de 2014.
2012 – Ganha destaque negativo ao ser flagrado embolsando uma medalha durante a cerimônia da Copa São Paulo de Futebol Júnior, gerando grande repercussão.
2013–2014 – Lidera a CBF durante a Copa das Confederações (conquistada pelo Brasil) e durante a Copa do Mundo de 2014. Sob sua gestão, a seleção sofre o histórico 7 a 1 para a Alemanha na semifinal do torneio.
Julho de 2014 – A nova sede da CBF é inaugurada no Rio com o nome “Edifício José Maria Marin”.
Maio de 2015 – É preso em Zurique, na Suíça, como parte da operação do FBI contra corrupção na Fifa (Fifagate). Seu nome é retirado da sede da CBF dias depois.
2018 – É condenado nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro, fraude bancária e outros crimes relacionados à venda de direitos de transmissão de torneios. Torna-se o primeiro dirigente preso no escândalo da Fifa.
2020 – Por motivos de saúde e idade avançada, a Justiça americana autoriza que ele cumpra o restante da pena em prisão domiciliar no Brasil.
2023 – Sofre um AVC e é internado em São Paulo. Passa a viver de forma reclusa, com saúde bastante fragilizada.
2024 – Morre na madrugada do dia 20 para 21 de julho, aos 93 anos, no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Seu velório é realizado no mesmo dia, na Funeral Home.
Matéria: O Globo/ Adaptação: Talles Honorato


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